Risco Sistêmico

Abalos econômicos expõem a fragilidade do sistema das redes de crédito.

 

O erro cometido pelo mercado na precificação, julgamento de riscos e prática de juros baixos na primeira década, produziu bolhas no setor imobiliário e crescimento explosivo na tomada de empréstimos pelo setor privado. A rapidez e a violência com que foram rompidos os mecanismos de crédito depois da quebra do Lehman Brothers expuseram a real natureza da rede financeira internacional: um enorme emaranhado de interconexões difíceis de mapear, dominado por grandes instituições financeiras ou os eixos, chamados de ‘hubs’, que comprometeriam todo o funcionamento da rede, caso viessem a falhar, e composto por agentes interessados em maximizar ganhos e minimizar riscos sem, no entanto, enxergar a malha de inter-relações do sistema financeiro.

Nos Estados Unidos os grandes bancos foram socorridos pelo governo dentro da máxima – “grande demais para quebrar”, e o sistema foi irrigado com uma enxurrada de dólares para aumentar a liquidez. Mas, hoje os bancos estão cautelosos para emprestar, o consumidor cauteloso para comprar e as empresas cautelosas para investir, já que a demanda é fraca. Resumindo, a crise hoje é de “confiança” e para gerar empregos e aumentar o consumo, o Governo terá que investir em obras e serviços no setor público, o que não será fácil com o tamanho da dívida pública atual.

Diferentemente na Europa, a crise é de liquidez com enormes dívidas soberanas. Na Grécia: €328 bi - 143%PIB; Irlanda: €148bi-96%PIB; Portugal: €161bi-93%PIB; Espanha: €637bi-60%PIB e Itália: €1,842bi -119%PIB, além da “contaminação” de títulos destes países nos bancos da França e Alemanha. A zona do euro esta correndo contra o tempo para solucionar os problemas de iliquidez e insolvência em cascata, que podem ocorrer rapidamente, na medida em que metade da dívida soberana exibe elevado risco de crédito.

No Brasil o real foi a moeda que mais se desvalorizou frente às demais, com 18,14% de queda. As perdas da Bolsa de 24.5% no ano e os ganhos em dólar são o retrato do mercado em turbulência. O mês foi marcado por revisões no crescimento da economia global e, principalmente no impacto das exportações de commodities para os países asiáticos, principalmente a China, que tem previsões de desaquecimento. Mesmo com os bancos pouco alavancados e com as medidas prudenciais já praticadas, a porta de entrada da crise poderá ser via de inflação e crédito, na medida em que a poupança interna é pequena, de aproximadamente 20% do PIB, e dependemos de capitais externos não só para financiar a dívida pública interna, de R$1.7trilhões e 60% do PIB, mas também dos “diversos fundos” que suportam financiamentos imobiliários e de bens de consumo durável.

Todas as fragilidades resumidas aqui estão relacionadas tanto ao tamanho e à inter conectividade das instituições e países, quanto ao estudo mais aprofundado das redes de crédito. Portanto, nenhum esforço de reforma regulatória que desconsidere todas as dimensões do risco sistêmico, será capaz de reduzir sensivelmente a probabilidade de ocorrência de crises financeiras de severidade semelhante à de 2008.

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