Disputa familiar da grife francesa Lacoste aponta o caminho para a prevenção

A Lacoste, um dos símbolos do prêt-à-porter de luxo francês e uma das marcas de moda mais conhecidas internacionalmente, está prestes a se tornar suíça, como anunciado em diversos jornais do mundo todo. O motivo é uma briga familiar que tem como pivôs o filho do fundador da marca, Michel Lacoste e presidente da empresa até há pouco tempo, e sua filha, Sophie Lacoste-Dournel que conseguiu assumir o comando da companhia e a presidência do conselho de administração graças ao apoio de primos de sua geração. Após este golpe, Michel – que é filho do premiado tenista René Lacoste, inventor da famosa camisa pólo - propôs vender os 30,3% do capital de seu “clã” para a Devanlay, licenciada mundial da grife para a produção e distribuição de roupas, e que já detém 35% do capital da Lacoste. Desta forma, o capital da empresa passara a ser 90% do grupo suíço. Isso porque, segundo declaração de Michel Lacoste para o Jounal Dimanche “os descendentes do fundador dessa empresa, criada em 1933, não conseguem mais viver juntos nem organizar a governança do grupo em um cenário racional. Hoje, a família está dividida em duas e ninguém consegue guiar a empresa. O conflito tomou conta de tudo. O choque era inevitável”.

 

No mundo existem grandes grupos mundiais que são familiares, como por exemplos Salvatore Ferragano, Hermes, Beneton, Fiat, L’Oreal, Samsung, Hyundai, BMW, Siemens, Ford, WalMart, e etc… Para analisarmos melhor esta situação criada dentro da Lacoste temos que lembrar o Manual IFC de Governança para empresas familiares e os estágios pelos quais passam desde a sua criação.

  • Estágio 1: Fundador / Proprietário / Controlador.

Para que a empresa familiar sobreviva ao passar o próximo estágio, o fundador deverá fazer esforços necessários para planejar a sucessão e preparar o próximo lider da empresa.

 

  • Estágio 2: Parceria entre os irmãos.

Manter a harmonia entre os irmãos, formalização dos processos e procedimentos de negócios, estabelecer canais de comunicação eficientes entre membros da família, e assegurar o planejamento da sucessão para os principais cargos.

 

  • Estágio 3: Confederação de primos.

A governança da empresa se torna ainda mais complexa, já que mais membros da família estão agora direta ou indiretamente envolvidos nos negócios, incluindo filhos dos irmãos da segunda geração, primos, cunhados, noras, genros, sogros... Em consequência disto, este estágio envolve a maioria dos problemas de governança familiar que terminam com brigas internas e até dissolução da empresa.

 

Conflitos familiares e de governança, como o que enfrenta a Lacoste, são muito comuns nos tempos atuais. Divergências de idéias, ambição e brigas pessoais são alguns dos motivos que levam parentes a lutar em lados opostos, fazendo com que o patrimônio construído fique à deriva e, corra o risco de ser dilapidado. A melhor maneira de evitar esse tipo de situação e garantir a segurança dos herdeiros é através da implementação de processos de governança familiar, agindo na relação destes com a propriedade, buscando ordenar os mecanismos de relacionamento com as responsabilidades dos detentores do capital.

 

Na prática, isso significa prover a família com mecanismos de gestão independentes da gestão operacional, criando estruturas formais para o diálogo entre acionistas e herdeiros com o objetivo de dissolver dúvidas e administrar conflitos de forma que eles não interfiram no processo organizacional da empresa.

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